Cheguei bem cedo na budega e o cunversero era esse:
- O Pé de Pano morreu!
- Ié sô, numidiga, morreu de que mesmo?
- Ara, cathia e havera de se de outro male!?
- É, mais um boca que se vai da Terra dos Durão!!!
- E pra quano é o velório?
- Tem começo marcado pras nove hora de hoje, lá no Mija no Vento.
- Quem ta organizano tudo, Muié o Macho?
- Macho.
- Intão ta meió, pur causo de que muié num sabe bebe difunto.
- E aí so Jovaine, vamo bebe o Pé de Pano? Vai se hoje, dagórinha prás nove e se fo no mote do finado, garrafão vai se poço!
- Sei não Tonho Bala, ando meio desenxabido c’uesses sociar daqui dos Durão, no último velório a clientela do Firmo Tatu (coveiro da área) aumentou por demais. O pobre cavou inté de madrugada!
- É mesmo, o sor se alembra que a briga cumeço por modos do finado ...
- Nem me alembre, num durmi mais de semana!
- Mas é isso que dá faze velório nas orde de Muié, elas atrasa tanto os finarmente que até o difunto se avexa.
- Num é mesmo? Dª Mocinha demoro tanto prá fecha o caixão do Zé Libório que o danado se encheu de vento e danou a peidar feito porca parindo!
Eu nunca que vi tanta gente correndo, gritando e pulando feito naquela noite! E o pobre do Zé sacolejando feito mamulengo dentro daquele caixão, trovejando mais que noite de tempestade em firme de americano!
-Também, so Jovaine, o pobre se finou despois de come um taxo de doce de batata roxa, cumpanhado de dois litro de cuaiáda de cabra!
- E nos Durão ocê sabe como é, pras arma fala basta menino grita! O pobre do Firmo Tatu varou a noite cavando cova rasa a modos de dá fim nos corpo de delito. E eu passei mais de semana sem durmi direito de tanto dá risada quano me alembrava do Zé Libório se danando em peido e o povo todo dando tiro prá tudo qu’era lado e fugindo feito pombo de praça quando iscuita descarga de lambreta!
-Acho que num vo não, ando meio cansado de festa e adespois a Arzira – aquela encrenca – ta prá chegá das andança lá dela e fica me azucrinando o juízo pur causa das nossa reunião em vorta de corote.
Vão ocêis que hoje eu vou bebe, mais é em casa, ouvindo as fofoca da Arzira que foi visitá aquela Sinhá lá das Camiranga (êita Sinhá prosadeira, vai te cunversa prá mais de meis!).
Inté...*
(*) Eu inté que gosto das cunversa da Arzira, mas quano ela se ajunta c’uessa tar de Sinhá, inté Deus tapa os ovido de tanto qu’ela qué proseiá!
Ando em cumitiva e num tenho tido tempo de prosa c'ocêis. Proveitei essa parada na venda prá manda um recado de que tÔ vivo e bem vivo (do contráro do que certas muié da lingua sorta andam falano!) na semana eu conto as novidade.
Inté...*
(*) Será que enterraro aquele coisa esbranquiçado de cabeça prá debaixo? Meió que sim!
Jornal, por essas bandas, só na peixaria do Severo (o nome dele é Xim sei lá dos quanto Chan e nóis resorvemo qu’ele’ra Severino!) e cum notiça véia que é prá numsustáos vivente local! É que o povo dos Durão é gente muito da simples e leitura num é o forte das pessoa. Aqui funciona mesmo é “Rádio Peão” sabe como éné, futrica, diz que disse, fofoca... (a maior reporte do pedaço, ocêis já deve de conhece, é a Sinhá Cremetina, aquela da varanda ali do lado).
Vortano à vaca fria, a farta de notiça fresquinha faiz a gente fica meio que num sabendo das coisa de fora daqui e cria umas cunfusão... pur exempro, o tar acidente do circo voador!
O seguinte é esse, Dª Mocinha mais a fia dela, a Maradulce, vinhero c’ua notiça que um tar avião afundo no mar e dentro dele tava um circo!!!
- E num é, Sô Jovaine, que o desmantelo foi grande mesmo? Magina só que judieira que foi, os pobre dos bicho tudo fogando no naufrágo?!
Dª Mocinha é cheia de vocabulância!
- Cumé qué isso Dª Mocinha, circo que se afundo no mar? Discunheço.
- E num foi Sô Jovaine? O circo de avião fundô feio, lá pelos lado dos Ribamar, lá nos norte de meu Deus!
- Ribamar qu’eu cunheço são uns cabra safado lá bem di’cima no mapa, mas tudo bem, desenrola Dª Moça (essa véia arrudeia mais que Zé Caxeiro em galinheiro!).
Nisso Maradulce desanda a chorá feito viúva virge, sabe cumé? É aquele choro de quem perdeu a festa, num cumeu o bolo, num dançou a dança, perdeu o trem...
- Sussega minina besta, deixa de chororô prá modos d’euconta o acontecido prá Sô Jovaine!
-Intão home, o tar avião afundo c’um circo dentro e os bichio morreu tudinho fogado. Inda bem qué’ra só dois bicho!
- Cume que é Mocinha, um circo cum dois bicho? Isso num era um circo, era uma gaiola de periquito da sorte!
- Pois Sô Jovaine, diz que tinha uma pantera e um mico e o pobrezinho do mico era desses mico d’ixtinção!!!
- Leão Dourado?
- Nada, arbino!
- Iguar o Bininho da Madalena?!
- Não, mico arbino, crarino, arvino, branquino que nem que nuve!!!
- Sei...
- Pois’intão, tão falano nas rádia e tevelisão que foi a maior castrástofri dos tempo!!! (num é mesmo uma vocabulina essa Dª Mocinha?) Pior que quano morreu Getúlio de dirveticulite e assumiu o tar Ulísses Dimarão, ce alembra?
- Lembro não... (cunversa doida sô!).
A prosa morreu por aí por de causa da Maradulce que perdeu inté o ar de tanto que chorava a morte dos bichinho (mai chora essa donzela). Como num gosto de notíça sem acerto, fui apura esse tar afundamento do asa dura lá na varanda da Sinhá Crementina (muié mais novidadera e sabedora da vida alheia da região).
-... E num é Sinhá... Mas nossa... Numidiga... Brigado, quero café mais não... Arre... Cunversa...
- Tava tudo errado! O seguinte é esse:
- O tar naufrágio de circo era a caída do avião Frances lá pros lado de Fernando de Noronha; o circo num era circo, era a passagem do tar do Maicon Jaquisson e daquela belezura do seriado da TV, qu’eu num sei nem o nome... a loirona boa, lá dos gringo.
É nisso que dá iscuitá rádio peão, eles mistura tudo as notiça véia c’uas nova, os buato, as mintirada e vira um angú de giló só, inté guerra pode sucedê num gaitiado desses, num é mesmo?
Vo apura meió c'ua Arzira (otra que só faiz sabe da vida dus otro) que tem tevelisão e é ansim cá tar Sinhá e vorto prá escrarece direito esse tar naufrágio de avião.
Essas tar veredas do virtual tão encheno os pacote!
Tem sinar... Num tem sinar, as muié du atendimento num fala nada, num exprica nada... Tô abusado cu'esse tar de espide! Us povo fala qu'é rápido, eu digo qu'é mais divagar que mula cega!
Tô abusano, daqui um pouco eu mando tud'essa josta prus quinto!
Dessas montanha eu vejo coisa que só mesmo do arto é possíve de vê.
Exempro, por que é que tem tanto ladrão e assaltante? Por causa da polícia!
É isso mesmo, a polícia é que faz o crime anda ligeiro a modos de cobra a mesada dos ladrão!
Sabe por que as drogas tão acabano com a nossa criançada? Por causa da polícia que vive de prende traficante pra modos de ficá com as drogas e ela mesma distribuí!
Em tudo que não presta tem a polícia por de trás. São os delegado, capitão...
E como tudo tem polícia atrás, então tudo tem safadeza. Sou capaz de afirma que num existe no mundo nada que é 100% certo!
Em todas as área tem dinheiro sujo, dinheiro nascido de crime!
Vou mais longe ainda, se os crime acabasse hoje, a economia do mundo parava!
... tai, a solução do efeito estufa ta mais simples de arrumar, é só os homens que ainda são de bem se uni e acaba com a polícia que salvamo o praneta!
Essas montanha dos Durão são realmente geniar, o ar daqui faiz gente que nem que eu pensar feito estadista, feito um Gandhi, um Churchill, um pica grossa desses aí qualquer!
É do conhecimento d’ocêis que ele ta inrabichado c’uma Dotorina lá da cidade.
Num é do conhecimento d’ocêis que ele é um tonto!
Magina ocêis qu’esse animar ta sendo tangido pela Dotorina feito boi de carro e num faiz um nada prá muda as coisas! To veno a hora que esse tunho vai ponha a dita no nome dele. Vai se a tercera cagada da vida do Mané!!!
É pur causo que o mano já se atrelô cum duas Dona antes dessa tar Dotorina e parece que num se alembra dos aperto que passo!
Eu já cansei de falá pr’ele:
-Mano, faiz que nem que eu mais a Arzira, num istabelece não home, fica fingino de morto, vai enrolano, dá uns bejo aqui, uns aperto ali e quano a nega qué se firma, entra numa cumitiva e se inverna pelos mato de meu Deus,
É mio durmi no mato, c’uas estrela de teto é o capim de cama, do que se prende numa casinha linda e cheia de conforto feito porco d’ingorda!
Mas o mano Zé num tem jeito não e essa Dotorina sabe que o bichão é besta! Mais dia menos dia ela amarra o inocente e dái, mano véio, num tem escapatória.
Essa tarzinha deve de se pior que abraço de jibóia, quano garra num sorta nem morto!!!
Me alembro com se fosse hoje o dia qu’ele apareceu pur’essas banda; cabelão escorrido, muchilão véio nas costa, umas ropona tudo malajambrada por d’ecima do esqueleto... Mas era o olhar, isso que assustava e ponhava respeito! Ocê num dava um traque de mula manca pelo sujeito, mas quano ele te oiava daquele jeito como quem mira passarinho, rastava as perna longa pros lado, remechia as mão e os braço e ajeitava o cabelão pronto, ninguém duvidava que o bicho ia pegá! Era pernada prá mais de metro, currupio c’as mão e tome bica na bunda!
É, o cara morreu, acharo ele dipindurado pr’uma corda, lá na casa dele!
O que será que passo na cachola, lá dele, pra faze uma merda dessa? Um home preparado, sabedor das coisa lá do mestre dele, panhava musquito no ar cuns palintinho de pau, andava por dicima de paper sem rasgá e por dicima de brasa sem queima o solado dos pé!
Gafanhoto véio de guerra! Num tinha um que num queria ser iguarzinho a ele e agora o merda se mata!
Qué sabê, esse tar de Kung-Fú num passa é de um Kung-Cú-de-Frango!!!
Inté... *
(*) Nunca mais qu’eu coloco as mão no fogo por ninguém!!!
Agora tão falando por aí, que tem home fazeno pirobo cu’s minino lá do norte!
Explico:
Tava eu veno uma TV, lá na budega do Raulí, quano iscuito a notiça de que uns cabra sem mãe tão trazeno muleque frosino, lá do Pará e arrabalde, prá transforma os pobre em travesti mirim!!!
Gente, eu inté ingasguei a talagada, tivero que bate nas minhas costa um bocado, pra modos deu puide respirá!
- Cumé qué, cumpadre, tão pegano os pirobinho pra faze viado em Sumpaulo?!
- E num é, compadre? Tão pegano os bambinho do norte e trazeno pra’qui, a modos de dá homônimo feminino pros bichinho, injeta o tar silicrone no corpinho deles, prá modos de cria peito e bunda de muié e despois sorta os pobre nas rua da cidade pras safadeza dos bacana!!!
- Num credito! Esse nosso mundo ta se acabano, e os pai dos baitolinho, num dão farta deles, num vão atrais?!
- Que nada cumpadre, parece que os pai é que dão os bambino prus cafiolo sorta nas rua!
- Cumpadre, eu tenho prá mim que os tempo tão se finando. Os próprio pai dando os bichinha prá ingórda no sul? Num credito não!
- Pois é Cumpadre é o mundão que a gente véve!
Ô Raulí, fecha minha conta que’u vô mimbora, to m’invernando mais cedo. Vô adentra bem fundo nesses mato dos Durão e num quero sabe de notiça ninhuma inté tomá uma decisão minha aqui, num sabe?
Como tem gente besta nesse mundão! Magine ocêis que a muié do cara num faiz nada e quando faiz o povinho critica!
A véia véve na sombra, num fala mar de ninguém, num parece nus jornal, num dá fala na TV, num sai nas notiça das radia, num faiz um nada e o povinho num para de fala mar da véia!
A inveja é mesmo uma merda, né mesmo?
Carcule que a véia feiz uma porpancinha, pra modos neto te um futuro meió e pronto, lá vem a gentinha criticá a pobre da véia!
Gente foi só Seiscentos milhão, apricaçãozinha besta oiando o futuro da educação dos minino dela lá. Afinar de contas a vida ta braba, o futuro nem a Deus pertence, ta tudo na conta do negão lá do norte.
Esse povinho tem mais é que cuida da própria vida e larga a véia em paz, afinar de contas a pobre num vai se premera dama prá sempre, não é mesmo?
Aqui nas nossa montanha, nóis vê o mundo diferente! Nóis num tem meia palavra, meia cunversa, meia verdade, meia mintira. Prá nóis é tudo muito simples, certo é certo e errado é errado!!!
Magine ocêis de mi pergunta quanto que é 2+2?
Araveja, só deve de te uma resposta, num é mesmo?
Não! Fora das montanha pode de se quarqué númuro!
Pode de se 5, pode de se 22 e por aí vai. A resposta é prá agrada o perguntadô não prá arresponde pr’ele!!!
Os povo aí de fora que pregunta já tem nas idéia a resposta que qué iscuita, ocê só tem que confirmá!
Como nóis pur aqui samos meio xucro, tosco, cavalo, grosso, fiodasputa, lazarentos e mais um sem-fim de nome, nois num agrada quase nunca.
Ara, se ocêis pregunta pr’eu uma coisa e eu arespondo c’ua minha opinião, despois num dianta ficá chiano feito sapo em boca de cobra, só pru que ieu num falei o que vossa mercê num quiria ovi!!!
Oia, qué sabê, meió num perguntá mais não viu? Meió deixa Jovaine fora dus assunto que ele num conhece, num é mesmo? Afinar das conta ieu num passo dum matuto véio e cansado, já c’uas pacença isgotano e us gurgumio chegano nas venta.
Inté...*
* Num burro carregado de cana, inté o cuzico dele é doce!
Gente, ceis me desculpe, mas to achano que os cú-de-frango tão atacano traveis!
O seguinte é esse:
Essa tar gripe dos porco, é vera ou é mais uma paiaçada dos Cú?
Começaro c'uaquela prosa de Pandemonio, sei lá o que e agora a gripe só mata mexicano!!! Acho qu'é queles são meio lerdo das idéia, né não?
-"Ai, chiuáua, que no me comprendo, que lá influenza me mata, que me cago todo, que me borracho...."
Esse jeitão meio abestado de fala mole e tal, deve de se a artura, né não?
Sei lá, só sei que na terra dos Durão essa num colô não! Por aqui nóis trata de "influenza" na base do limão, conhaque de arcatrão e sar! É um santo remédio, meiór que as remediada c'us dotorino de merda receita nos postinho!
Mas vortando a vaca fria, tô achano q'ué mais um gorpe dos cú-de-frango prá modos de incubri arguma merda qu'eles tão fazeno ou fizero; iguarsinho essa tar de crise que de crise só tem nome e só pega os pobre, que já vive numa merda de dá dó, num é mesmo?
Aqui nos Durão, nóis só acredita quano vê um vivente finá da tar febre do porco (tenho prá mim que tumém pode se coisa dos Corinthiano, a modos de manga dos porco) e tem que te atestado dos médico legal firmando a coisa!
Na farta de vacina, vai por mim, toma umas com limão que ocê fica bão, meu'rmão!!!
Inté...*
* Devem de tá lançano remédio novo na praça, esses cú-de-frango dos cacete!