Réquiem
É triste escrever sobre o fim de um camarada como Jovaine. Ele morreu faz tempo, o letreiro do final já passou, mas é difícil enterrá-lo de uma vez! ele morreu! Morto de morte matada! Morto por mim, seu mano véio. Não havia mais porque mante-lo vivo pelas veredas uma vez que as veredas se acabaram. As lindas montanhas azuis das terras dos Durões serão eternas não sei por quanto tempo mais! Ninguém mais tem motivos para se reunir na budega do Raul. O último caubói se foi como veio, num turbilhão, num furacão de emoções que se acabaram. Sem seu fiel Cavalo e sem sua amada Arzira, Jovaine se vai de vez. Vai na frente de Clint, reservando um lugar no vagão bar do último trem dos Durões! Agora é definitivo... T h e E n d
Escrito por Jovaine às 16h32
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O Nome do meu Cavalo
Tem treis coisa importante pr’um caubói: O chapéu, as bota e o cavalo! O resto é resto. O chapéu serve prá sombrea o bestuntu do vivente, tomá banho de gato, dá de bebê pros animar, incrusive o cavalo, guarda arguma coisa que tem que se oiá de tempo em tempo, ponha na frente dus’óio prá sestiá no Sor do meio do dia, baná as môsca, ispantá bicho, e mais um bucado de coisa útir! As bota nem pricisava de dizê,mas... pisa por di cima de pedra, ispinho, bosta, foguera, chuta bunda gente safada, apagá ponta de cigarro, guarda dinhero, biête de muié dos outro... O cavalo já é diferente, cavalo é o coração do caubói! É o bicho que aleva o vivente pra lida, prá namora, prá missa, prás briga, prá vida e prá morte tomém! Meu cavalo cansô! El’num güenta mais carrera de tamanho nenhum, num se arvóra quano vê gado fujão, nem abre as venta e pinoteia nas trasera quano sente chero de guerra! Só agora eu to veno que o meu cavalo tá perdeno a vontade das coisa; já num gosta de muito barúio, fandângo no serêno e as égua nova nem num repía mais os pelo da sua crina. Tá veiaco, foge das lida e me óia com aqueles'oião castanho como que dizeno num suspíro: - me dexa hôme, vai sentá numa sombra tomém! Acho que o cavalo tá morreno, tá cansado... vou arranca seus arreio e sorta ele nessas montanha azul... Vai'migão véi, vai bateno seus casco de mansinho, iguar que tá bateno o meu coração! Inté...(*) (*) Ci’squecí, o nome do meu cavalo é Cavalo! Finar das conta num se dá nome a bicho que um dia se pode precisá de cumê!
Escrito por Jovaine às 18h26
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Triúnfo de um Bravo ou (a vorta do véi venhaco)
Muito que bão, tentaro me matá, me mordaçáro, quisero me dexá maneta das mão e dus pé! Vortei e tô mais injuado que merda entre os dedo dus pé!! Tudo que falaro será disfalado, as matraca véia vão ingulí as calúnia!!! Varandeiras e suas colega, suas batáta acabaro de torrá!!!! O véi vorto piór que praga de rapariga, aguardem que o chumbo é quente!!!!! Inté...* (*) só quero ouví us chôro e as churumela da cambada!
Escrito por Jovaine às 17h23
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The End
Escrito por Jovaine às 15h53
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Mensagem do Além
Não morri, mas tomem num tô vivo!!! Inté...
Escrito por Jovaine às 13h39
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PUTZ!!!
Os copos todos cairam das prateleiras, as garrafas se esvaziaram como que por encanto... ... cabritos bicéfalos foram paridos nas montanhas, os galos já nao acordam e as mulheres se calaram! O último caubói morreu! Pelo menos é o sentimento que impera por essas montanhas azuis. Nos bares e esquinas só se fala nisso, as crianças nao brincam e os bebuns nao param de "chorir". Como foi, de que foi, aonde foi, ninguém sabe dizer. Aliás, ninguém sabe como a notícia surgiu! Que merda!
Escrito por Jovaine às 22h35
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URGENTE!!!
E atenção! Segundo arruaceiros de plantão, o velho velhaco se amancebou com uma índia Guaraní da reserva do Pico do Jaraguá! Depois de uma longa viagem de comitiva, Jovaine convidado para uma pagelança, foi entupido de substâncias alucinógenas que o levaram a se encantar por uma índia velha! Descoberto pelo Cacique em ativo decúbito dorsal com a bagaceira, foi obrigado a assumir a baranga e hoje se encontra refém da tribo. No aguardo de maiores detalhes e confirmação da rádio peão, voltaremos com mais notícias; se as tivermos! Nota: Nos Durões já se organiza uma operação de resgate regada a muita cana e bravatas dos barrigudinhos de plantão.
Escrito por Jovaine às 09h39
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Vivo?!
Jovaine desapareceu do mapa! A mais de seis meses saiu prá um empreeita de levar uma boiada nova prás banda de Sei Lá e nunca mais se teve notícia do cauboi. Alzira não dá conta do homem e nem nos Durões se houve nada a seu respeito. Na padaria de Raul já se fala em reza de missa, novena prá São Longuinho e tudo quanto é mandinga prá se achar o homem! Se alguém souber do paradeiro do vequeiro, deixa mensagens. Que Deus tenha piedade do velho cauboi e nos traga o velhaco de volta.
Escrito por Jovaine às 12h25
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A Arzira...
Muié é foda! A Arzira resorveu que qué ir ver o diacho do Pantanar, qué ser comida por pernilongos gigantes, hipnotizada por crocodilos jurássicos, passar um calor dos infernos e pior, quer que eu vá junto e abandone minha tropilha nova e inesperiente por tres dias!!! Ara, Arzira, isso é coisa que se pessa prum véio cauboi que dá a própria vîda pelo seu rebanho? Onde já se viu forçar a amizade desse jeito!? A mais di que, eu sempre disse que se era pra gente avoá, nóis nascia de asa e comia semente! Num dá não neguinha, as vaca tão parindo, os bezerro pulando, os boi brigando prá modos de traça as vaca nova, um desmantelo totar da criação! Inté...
Escrito por Jovaine às 19h34
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Tô longe, mas tô vivo.
Eita mindão perdido de boa vontade! Gente, tô longe, ausente, mas tô vivíco da silva!!! O seguinte é esse: - ando mais atarefado que furmiga em véspera de temporal, mais sem tempo que parteira do Ceará, numa correria que nem que cacho atrás de roda de carro! A vida tá braba, as tropa tão quase no jeito e a lida mais fuduzenta que arrastá tora em chiqueiro! No mais um beijo prá quem vem e um merda prá quem achô qu'eu morri, fui!!! Inté ... * (*) inté quano eu me apeá di veiz no novo rancho!
Escrito por Jovaine às 15h38
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Premeramente me adescurpem pela falta de notiças! Arguém deu farta? To passano bem rapidino pelas vereda do virtual, a tropa nova tá cumeçano a pega o jeito do meu berrante, mais ainda tá muito xucra! Tava oiano as coisa que escrevero aí por trás e uma tar, aí, disse queu num falo di amor!!! AraDona, Jovaine num fala de amor, Jovaine faz! Sinhá, gradicido pela posada da Arzira, aí pela sua varanda, foi muito linda. Vo para c`ua prosa, que a xucrada tá mugino e eu num quero estouro pru meu lado. Inté*... (*) Pensano bem, inté que a vida é bela, num é não?
Escrito por Jovaine às 11h10
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Lembrete pros vivente.
Gente, ando pelo fim do mundo e tá difícir de mante us contato! A cumitiva nova é boa, mas a boiada in`d`'e muito da xucra!!! Cum carma eu vorto prá conta as novidade. Inté... * (*) Hoje vim oiá meus fío e por em dia as prosa de famía.
Escrito por Jovaine às 12h45
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Gente, ando numas correria que nem que ladrão! Tô de mudança! Boiada nova prá rodeiá e conduzi pur'esses canto de meu Deus. Quano eu tivé um pouco de tempo eu conto pr'ocêis. Inté...* (*) As veiz eu penso que divia de fica quieto no meu canto, mais os desafio me chama e eu, besta que sô, me jogo de peito aberto prá de cima dos B.O..
Escrito por Jovaine às 15h43
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O enterro de Zé Libório.
Cheguei bem cedo na budega e o cunversero era esse: - O Pé de Pano morreu! - Ié sô, numidiga, morreu de que mesmo? - Ara, cathia e havera de se de outro male!? - É, mais um boca que se vai da Terra dos Durão!!! - E pra quano é o velório? - Tem começo marcado pras nove hora de hoje, lá no Mija no Vento. - Quem ta organizano tudo, Muié o Macho? - Macho. - Intão ta meió, pur causo de que muié num sabe bebe difunto. - E aí so Jovaine, vamo bebe o Pé de Pano? Vai se hoje, dagórinha prás nove e se fo no mote do finado, garrafão vai se poço! - Sei não Tonho Bala, ando meio desenxabido c’uesses sociar daqui dos Durão, no último velório a clientela do Firmo Tatu (coveiro da área) aumentou por demais. O pobre cavou inté de madrugada! - É mesmo, o sor se alembra que a briga cumeço por modos do finado ... - Nem me alembre, num durmi mais de semana! - Mas é isso que dá faze velório nas orde de Muié, elas atrasa tanto os finarmente que até o difunto se avexa. - Num é mesmo? Dª Mocinha demoro tanto prá fecha o caixão do Zé Libório que o danado se encheu de vento e danou a peidar feito porca parindo! Eu nunca que vi tanta gente correndo, gritando e pulando feito naquela noite! E o pobre do Zé sacolejando feito mamulengo dentro daquele caixão, trovejando mais que noite de tempestade em firme de americano! -Também, so Jovaine, o pobre se finou despois de come um taxo de doce de batata roxa, cumpanhado de dois litro de cuaiáda de cabra! - E nos Durão ocê sabe como é, pras arma fala basta menino grita! O pobre do Firmo Tatu varou a noite cavando cova rasa a modos de dá fim nos corpo de delito. E eu passei mais de semana sem durmi direito de tanto dá risada quano me alembrava do Zé Libório se danando em peido e o povo todo dando tiro prá tudo qu’era lado e fugindo feito pombo de praça quando iscuita descarga de lambreta! -Acho que num vo não, ando meio cansado de festa e adespois a Arzira – aquela encrenca – ta prá chegá das andança lá dela e fica me azucrinando o juízo pur causa das nossa reunião em vorta de corote. Vão ocêis que hoje eu vou bebe, mais é em casa, ouvindo as fofoca da Arzira que foi visitá aquela Sinhá lá das Camiranga (êita Sinhá prosadeira, vai te cunversa prá mais de meis!). Inté...* (*) Eu inté que gosto das cunversa da Arzira, mas quano ela se ajunta c’uessa tar de Sinhá, inté Deus tapa os ovido de tanto qu’ela qué proseiá!
Escrito por Jovaine às 15h40
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Recado
Ando em cumitiva e num tenho tido tempo de prosa c'ocêis. Proveitei essa parada na venda prá manda um recado de que tÔ vivo e bem vivo (do contráro do que certas muié da lingua sorta andam falano!) na semana eu conto as novidade. Inté...* (*) Será que enterraro aquele coisa esbranquiçado de cabeça prá debaixo? Meió que sim!
Escrito por Jovaine às 16h27
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